Overpopulation Awareness is the website of Fundação Ten Million Club

Slide background
Slide background
Slide background
Slide background
Slide background
Slide background
Slide background
Slide background
Slide background
Slide background
Slide background
Slide background
quinta, 07 junho 2012 08:14

Lemingues com passaportes?

Prof. Eng.º. R.A.A. Oldeman

Antigo professora de Ecologia Florestal e Gestão na Universidade de Wageningen
 

A palavra sobrepopulação é muitas vez utilizada de forma casual e tomada como certa por toda a gente que conhece o seu significado. Todos indicam que conhecem o seu significado, no entanto, e infelizmente, as formas através das quais as pessoas conhecem tal palavra variam. Estamos a lidar com uma confusão de línguas. É por isso que vamos agora dissecar o tempo aqui, para ver que elementos contém.


Curvas Populacionais

Na escola aprendemos que, até Napoleão, digamos até 1800, o muito era muito pouco populada e que a população começou a crescer cada vez mais rapidamente após esta época. Foi-nos dito que estimativas, tais como as indicadas pelo antigo Grego Xenofonte, de exércitos Persas com centenas de milhares de soldados, foram resultado dos Gregos primitivos não serem capazes de contar adequadamente. No entanto, este julgamento está errado.
 

Um estudo de 1973 realizado por Jean-Charles Pichon, com base em censos antigos de Roma e da China, entre outros dados, aponta para uma população mundial de cerca de três biliões no terceiro século DC. De acordo com historiadores como Montesquieu (século XVIII) ainda existia a mesma população que existia em 1100. Após tal ponto, a população começou a diminuir drasticamente. Em 1580, restavam 400 milhões de pessoas. A população começou então a crescer novamente, devagar. Advertências religiosas encorajar um maior número de nascimentos depois de períodos como a Peste negra, colheitas falhadas, incêndios e guerras. Só depois da década de 30 é que a marca dos três biliões foi novamente atingida.
 

É um facto que a curva populacional segue um movimento de ziguezague. Um período de crescimento que leva a um pico seguido de uma estabilização, é sempre sucedido por um colapso que resulta novamente em números populacionais baixos.
 

Um estudo científico das florestas também trouxe à luz da discussão provas deste padrão. A desflorestação ocorreu em todas as partes do globo em diferentes níveis durante o último milénio. Na América do Sul, por exemplo, o solo debaixo da floresta tropical contém muitas camadas de carvão a várias profundidades. Isto mostra como a ideia de floresta "virgem", intocada pela intervenção humano, é outro mito.
 

Os níveis de nascimento, crescimento e declínio através dos quais as civilizações passaram, correspondem a desenvolvimentos no tamanho da população. Durante períodos de crescimento vigoroso, as sociedades tentaram basear-se no seu conhecimento "científico" e na tecnologia (Egipto, por volta de 2000 AC; Egipto e Grécia por volta da era de Cristo bem como a civilização actual). Os níveis de estabilização e de queda são seguidos de períodos de renascença religiosa. Estas épocas de colapso são, claro, períodos desastrosos e negros da história da humanidade e, mesmo depois destes se sucederem, as pessoas não desejam ser lembradas dos factos.
 

Esta é uma imagem grande que informa da nossa tentativa de uma população de 10 milhões. Os cidadãos Holandeses que não têm consciência da questão são "lemingues com passaportes". A nossa população está perto de um pico na curva de ziguezague. A fé em curvas de crescimento simples e a nossa capacidade de controlar a natureza não nos irão ajudar, uma vez que tais crenças se baseiam em mitos.
 

A inevitabilidade da curva de ziguezague em números populacionais

As curvas de ziguezague ocorrem em todas as populações animais e naturais. Apesar disto, muitas pessoas acreditam que os número populacionais permanecem constantes no mundo natural. Este mito deverá advir, mesmo que em parte, de memórias colectivas amargas de morte em larga escala, há muitos séculos atrás. Fez com que as pessoas proclamassem o crescimento ou a população estável como normal, mesmo que isto não se baseie na realidade.
 

Em parques naturais protegidos, os animais recebem alimentação suplementar que se contrapõe às quedas naturais em números que normalmente ocorreriam em populações de javalis ou veados após invernos rigorosos. A caça também é ostensivamente proibida de modo a evitar flutuações extremas. Relativamente a plantas, a diminuição populacional em colheitas, em particular, é evitada. Depois disto, as colheitas mais pequenas destas plantações equivalem a fome e a morte no seio da população humana. Ente 11845 e 1847, o flagelo da batata arruinou a colheita de batatas na Irlanda. Cerca de um milhão de pessoas morreu e outro milhão emigrou, partindo para a América. Em 1976, o número da habitantes ainda só totalizava os 4,4 milhões.
 

Os exemplos acima ilustram a falta de gestão humana das populações animais e as consequências terríveis da falha de colheitas. Animais queridos fofos tendem a apelar aos nossos sentimentos humanos. A nossa sobreprotecção destas criaturas não se baseia em quaisquer argumentos razoáveis. Algumas espécies, como por exemplo a raposa e o corvo, estão a crescer enquanto outras estão a diminuir, como por exemplo o pardal. Actualmente, a nossa protecção quanto a animais e plantas, enquanto se necessita urgentemente de uma medida, está a aplicar-se de uma forma contra produtiva.
 

Dois dos mais poderosos factores nos problemas da população humana são o sentimentalismo e o medo. Apesar de escondido, o medo histérico da fome permanece forte, tal como os sobreviventes do "inverno faminto" (o último inverno da Segunda Guerra Mundial quando algumas zonas da Holanda sofreram de escassez de comida aguda) bem sabem. Temos também o hábito de nos identificarmos com diferentes tipos de animais relativamente a sentimentalismo, enquanto outras espécies são odiadas. Não existe qualquer sociedade para proteger cobras, nem existe nenhum para proteger a maioria das espécies de plantas, no entanto, existe uma que protege o veado vermelho. O medo é mau conselheiro, tal como o sentimentalismo. Aquilo de que necessitamos mesmo é de qualidades para equilibrar tais sentimentos, nomeadamente a previsão, o amor e o respeito por todos os seres vivos, incluindo pessoas.
 

Populações humanas, outras populações e "sobrepopulações"

É em tempos de guerra que são pensadas as maiores invenções e inovações. Os computadores desenvolveram-se a partir de dispositivos de busca e localização em armas anti-aviões aliados. O medo da fome é um motive forte para declarar guerra à cruel Mãe Natureza, de modo a acalmá-la e sermos capazes de nos alimentarmos de uma forma sustentável. O que a "Luta pela vida" de Darwin representa é um pensamento humano beligerante, não a evolução natural.
 

A utilização da terra por parte dos humanos é uma forma de luta. Tudo o que seja de utilização directa é conquistado e subjugado, tudo o resto é considerado pouco importante a menos que apele aos nossos sentimentos. São travadas guerras entre populações e grupos, e não entre indivíduos. Existe, portanto, uma diferença fundamental entre assassínio, que é o acto de um indivíduo culpado, e a morte em tempo de guerra quando uma decisão colectiva foi tomada para suspender as regras normais. Isto acontece apenas quando uma população que é a existência base dos seus membros, é ameaçada, facto que não acontece frequentemente. O motivo principal é, novamente, o medo. O Neerlandês é o único idioma europeu que inclui uma palavra pouco agradável para morrer em tempo de guerra, que é "sneuvelen" ou "sneven".
 

Não é coincidência que desde 1945, quando a sua população chegou à marca dos dez milhões, a Holanda tenha criado uma nova tendência contra a elevada produção agrícola. Este papel é representado pela figura do ministro Mansholt, que foi o homem por trás da Política Agrícola Comum Europeia. Nem foi coincidência que, quando começou o processo de intensificação da produção agrícola, também começou a morte lenta de florestas "naturais", savanas, estepes e mares.
 

As sociedades humanas não estão preocupadas com a sobrevivência diária e básica. A ajuda internacional que está limita a abrigo, comida e roupas é, muitas vezes, vista como insultuosa. Produtos mentais e culturas como por exemplo a música, os edifícios e as cozinhas refinadas, são fenómenos puramente humanos. No entanto, partilhamos a nossa necessidade de comida, reprodução e de dormir com os animais. Enquanto se aproxima um pico na curva de ziguezague, o aumento populacional que ocorreu inicialmente, resulta num aumento concorrencial em talento e prosperidade. Foram inventadas novas armas. Galileu estava, de facto, a trabalhar no arsenal da cidade quando descobriu os caminhos dos planetas comparando os seus movimentos com as trajectórias das balas de canhão.
 

A reacção inicial aos problemas populacionais foi a conquista de mais terra de modo a espalhar a população da nação (a infame política Nazi da "Lebensraum"). Isto resulta em migração em massa e colonização. Uma vez que a população se aproxima do seu pico, isto deixa de ser uma opção e há o apelo a novas medidas. A inovação tem como objectivo a intensificação da produção na terra que está disponível. Se os limites de disponibilidade de tal terra forem atingidos, tende a resultar em guerras, juntamente com a invenção de armas cada vez mais sofisticadas. Muitas vezes, estes conflitos são guerras civis nas quais as populações são reduzidas, tal como aconteceu com as acções de Pol Pot.
 

A sobrepopulação depende sempre da relação entre três factores que são: o tamanho da população, o tamanho da superfície total de terra disponível e a "lista de desejos" da população numa civilização em particular num período em particular da história.
 

No caso da Holanda, a curva de ziguezague é bastante clara. Os dilemas foram alternadamente respondidos através de períodos de guerra e períodos de inovação criativa. Dentro da nossa memória colectiva, esses períodos são conhecidos como "idades de ouro". Hoje em dia, não podemos expandir a nossa superfície de terra através da conquista. Nem sequer existe muito mais a ganhar através do aceleramento da produção. De algum modo, estamos a viver num monte de esterco (que muitas vezes cheira mal). Alguém chamou, há algum tempo, ao nosso tipo mais comum de paisagem "estepe cultural". Todas as florestas que temos na Holanda foram deliberadamente plantadas, não contando com uma áreas variáveis mais pequenas que se desenvolveram "naturalmente", por acidente, à volta dos lagos Oostvaarder e Lepelaar.
 

Estamos de facto a viver numa era dourada, rica em pensamento e invenção. Estamos, no entanto, a estreitar os limites de potencial da nossa área de terra e do nosso uso da mesma aqui na Holanda. O único facto que poderemos ainda ser capazes de mudar é o nosso tamanho populacional. Actualmente, é latente um estado de coisas interno que pode ser comparado a um estado de guerra que está a conduzir mais e mais pessoas a beberem até morrer, a terem overdoses com estupefacientes ou a a matarem-se umas às outras através de violência "sem sentido": todas as respostas tipo lemingue e primitivas.
 

O verdadeiro passaporte Lemingue

A revolução de 1968 destruiu antigas estruturas e ideias. Estas não puderam ser utilizadas para misturar as sociedades em mudança à volta do mundo numa viagem estável. Isto deveu-se, principalmente, às limitações de espaço e ao crescimento selvagem da população.
 

O nosso passaporte real é um conjunto substancial de novas soluções para problemas tradicionais. Na Holanda, somos obrigados a considerar possíveis restrições às nossas listas de desejos. Isto, no entanto, não nos irá levar longe. Quem, depois disto, estiver preparado para abdicar do carro ou do barco, está preparado para aceitar cuidados de saúde sub-padronizados? No passado, tal interferência em questões individuais, ocorreu apenas quando forçada pelos regimes religiosos ou totalitários, como por exemplo os dos imperadores Chineses e monges Budistas. Com frequência, estes duraram por séculos ou mesmo milénios e podem, certamente, ser considerados como possuindo algum mérito no que diz respeito a sustentabilidade.
 

No entanto, sem qualquer dúvida no topo das nossas listas de desejos situam-se a liberdade, a democracia, o bem-estar, a prosperidade e a justiça. Infelizmente, na nossa sociedade actual, estes valores são expressos numa tendência altamente pueril e são, portanto, efectivamente contra-producentes. A chave para uma política populacional sonante parece assentar numa mudança radical na forma como aplicamos o nosso desejo quanto a estes valores. Em vez de serem considerados como "presentes" da Holanda para os seus cidadãos, deveriam tornar-se meios através dos quais atingimos um funcionamento social adequado. Isto acontece possivelmente se lhe dermos um significado dentro da estrutura da nossa cultura.
 

O que é necessário é uma mudança na nossa perspectiva de ver as coisas: não nos basearmos constantemente nos meus direitos e liberdades individuais, mas clamando liberdade como indivíduo fazendo o que é correcto; não desejando ser rico individualmente, mas querendo ser um cidadão de um país próspero; não esperando que o Estado tome conta de mim, mas tomando conta uns dos outros; não desejando poder para o meu partido, mas pedindo poder para toda a gente, ao qual nos submeteríamos voluntariamente; não clamando liberdade para fazer aquilo que me apetece mas tentando clamar a nossa liberdade para fazer colectivamente o que é necessário e dedicar este poder aos melhores de nós.
 

Tal como a sobrepopulação, o termo corrupção é normalmente tido como auto-explicativo apesar de raramente significar o mesmo para duas pessoas diferentes. Em Latim, a palavra é conotada com dissolução e putrefacção. Não se refere a dinheiro per se, mas, de uma forma mais geral, ao falecimento da honestidade, do cuidado, da compaixão, entre outros. No parágrafo anterior, os ideais e os valores de vivências contrastam com as suas formas corruptas.
 

Afastando-se de ideias corruptas e sem base, e indo ao encontro de uma forma de vida com vigor irá, inevitavelmente, criar soluções para os problemas da sobrepopulação. Um bom primeiro passo seria o de pensar, adequadamente, este assunto para que possa ser colocado no currículo escolar padrão, para que possam ser criados websites informativos, etc. Uma vez que, a geração que está agora na escola é aquela que vai ter de encontrar uma solução viável para os desafios indicados. Para além disso, a sua educação e formação quanto a pensamento, seres humanos empáticos é crucial se queremos ultrapassar o nível de lemingues com um passaporte.
 

Isto deverá ser tido como uma pedra base para todas as medidas tomadas dentro do contexto das políticas populacionais.
 

2008

World population