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quinta, 07 junho 2012 08:21

A crise da população mundial

A crise da população mundial
 

Respostas a algumas das negações mais comuns da gravidade da crise da população
 

Preâmbulo

A Holanda tem uma histórica de migração mais complicado do que a maioria dos países. Durante grande parte dos séculos XVI e XVII, o país teve uma taxa migratória de 10% ao ano. Isto significa que com uma população de cerca de 3 milhões, chegaram a cada ano 300 mil emigrantes e 300 mil saíram, isto durante centenas de anos. De facto, a maioria dos emigrantes eram trabalhadores sazonais.

Assim, a Holanda tornou-se numa "panela multicultural" tal como os EUA e outros países de emigração. A emigração contínua durante longos períodos é quase um fenómeno natural no país. Pouco depois da Segunda Guerra Mundial nada parecia ter mudado na atitude Holandesa perante a emigração. Houve um esforço consciente para promover a emigração uma vez que o governo percebeu que o país era sobrepopulado. À época, a população chegava aos 10 milhões.
 

Um dos mais interessantes ensaístas Holandeses (Karel van het Reve, 1921-1999) disse uma vez que em qualquer sociedade o número de tabus permanece igual. Por outras palavras, quando um tabu desaparece, outro irá surgir. Em pelo menos um caso, isto aconteceu na Holanda: quando, nos anos 60, era quebrado tabu atrás de tabu através da renovação política, pelo menos um novo tabu surgia. Apesar de parecer incrível, considerando a imagem acima indicada da história demográfica do país, a migração como assunto de discussão racional tornou-se um tabu. As palavras "crescimento populacional", "sobepopulação", "imigração" e "política populacional" não poderão voltar a ser mencionadas numa sociedade educada sem o transmissor correr o risco de ser indicado como racista, fascista ou pior.
 

Nos anos 90, aquando da chega dos dezasseis milhões de habitantes ainda era uma causa para a celebração, a imigração quase garantiu um crescimento populacional ininterrupta durante gerações, algumas pessoas rebelaram-se. Eles fundaram o Clube dos Dez Milhões (TMC). O seu nome indica simplesmente que o principal objectivo do TMC é de atingir, a longo prazo, o nível populacional que existia após a Segunda Guerra Mundial. O seu segundo objectivo é: quebrar os tabus que rodeiam o assunto do crescimento populacional.
 

Inicialmente, os membros fundadores encontraram uma oposição feroz. Graças a factores como a qualidade das suas publicações, o TMC ganhou um apoio gradual. Actualmente, o TMC tem mais de dois mil apoiantes activos e, gradualmente, os tabus que rodeiam as questões populacionais começaram a enfraquecer, apesar de não terem, de facto, desaparecido. Claro que seria interessante verificar se a declaração de Van het Reve continua a ser verdade, ou seja: se o TMC for bem-sucedido na eliminação do tabu populacional, haverá um novo tabu para o substituir. Infelizmente, tal investigação está para além da capacidade do TMC.
 

Os sucessos do TMC também atraíram o interesse de outros países Europeus. Organizações com campos de interesse similares começaram a pedir publicações TMC. Uma vez que foram publicadas em Neerlandês, tiveram de ser realizadas as traduções. Isto colocou o TMC numa posição curiosa a respeito da brochura actual.
 

Quando em 1996 Madeleine Weld publicou o artigo "Confrontar a Crise Populacional, Respostas aos vinte e um argumentos mais utilizados para confundir o problema." (Preocupações com a população global, Ottawa, 1996), foi indicada como uma excelente base para a brochura clarificar as assunções incorrectas acerca de questões populacionais. As vinte e uma respostas da Sra. West foram reduzidas a quinze, com comentários, especificamente condições Holandesas a ser adicionadas). A brochura foi considerada como representativa das opiniões mais essenciais indicadas pelo TMC. Quando os pedidos de traduções começaram a chegar ao TMC, surgiu uma situação curiosa relativamente ao facto de uma tradução de um artigo em língua inglesa ter de ser traduzido para o seu idioma original. Os leitores familiarizados com o original poderão divertir-se a tentar perceber o que sobrou do mesmo. Apesar de tantas apreensões, o TMC decidiu voltar a traduzir a sua brochura em Neerlandês para informar os leitores em língua inglesa sobre as suas posições principais. A reinvenção da roda não é um dos objectivos do TMC e o seu endividamento para os outros é aceite como uma matéria de facto.
 

Introdução

A maioria das pessoas nem sequer tem consciência da ameaça que advém do crescimento contínuo da população mundial. Perigos, advogados e políticos parecem contradizer-se numa área em que a maioria dos cientistas partilha a opinião de que surgirá uma grave crise, se já não surgiu.

Em 1993, representantes de cinquenta e oito Academias Nacionais de Ciências emitiram uma declaração no fecho de uma conferência sobre a população em Nova Deli. Chamava a atenção para uma urgência relativamente ao crescimento populacional do mundo dentro de uma geração.

Em Junho de 1994, a Academia Pontifícia de Ciências (acidentalmente contra os desejos do Papa João Paulo II) emitiu uma declaração que indicava que o controlo populacional era necessário para evitar problemas que no futuro se iriam tornar insolucionáveis.
 

Na Conferência da População Mundial no Cairo no outono de 1994, a maioria dos governos acordou em restringir o crescimento populacional como forma de reconhecimento do problema populacional.

Quando os perigos do crescimento desenfreado da população são apontados por tanta gente, por que é que é um problema difícil de lidar? A resposta é que as decisões sociais e políticas são, em regra, não baseadas em opiniões científicas e bem argumentadas. Forças religiosas, políticas e económicas poderosas resistem a qualquer acção relativamente à diminuição do crescimento populacional. Os oponentes às políticas da população racional apelam a preconceitos de modo a minimizar ou até mesmo ridicularizar a gravidade do crescimento populacional contínuo. Estra brochura tenta abordar os preconceitos que são ouvidos com mais frequência.
 

1 A taxa de crescimento populacional está a diminuir e, uma vez que continua a cair, deixa de ser um problema.

De facto, a taxa de crescimento diminuiu de 2,2 para 1,7 por cento por ano. O crescimento em números absolutos, no entanto, continua a acelerar. Para ilustrar a informação, abaixo encontram-se imagens relativas ao crescimento da população mundial durante as duas últimas décadas:

A população mundial

Em 1800

1 bilião

Em 1920

2 biliões

Em 1960

3 biliões

Em 1975

4 biliões

Em 1987

5 biliões

Em 1999

6 biliões

Em 2011

7 biliões

Em 2023

8 biliões

Em 2040

9 biliões


Um período no qual um bilião de pessoas deverá ser educado, alojado e ao qual deverão ser proporcionadas infra-estruturas está, portanto, a diminuir em tamanho. Mesmo se o número de filhos por mulher estiver a diminuir rapidamente, a composição da população iria assegurar um crescimento considerável no futuro vindouro.

2 Se o crescimento populacional fosse um problema real, o governo teria de ser mais activo na proposta de soluções

A maioria dos governos negligenciou, cuidadosamente, o problema. Estão mais preocupados com problemas de curto prazo do que com problemas a longo prazo. Estão sob pressão por parte de grupos religiosos e políticos. Os oponentes ao controlo populacional são, normalmente, mais poderosos do que os seus defensores. As declarações políticas produzidas em conferência internacionais, na Conferência da População Mundial de 1994 no Cairo, por exemplo, ficou muito dito mas é algo difícil de ser traduzido em acções.
 

3 Uma distribuição justa da riqueza é a solução para o problema da população

Toda a riqueza deriva de recursos naturais. Sem tais recursos, não existe comida ou matéria-prima. Os recursos naturais que foram abundantes, estão ameaçados até à exaustão devido à utilização excessiva. Tome como exemplo a pesca. A pesca tem vindo a decair desde 1989. A pesca ao bacalhau canadiano, antigamente uma importante fonte de comida e emprego, colapsou virtualmente, resultando, em 1995, da chamada "guerra do bacalhau" entre o Canadá e a Espanha. Este exemplo demonstra que conflitos e mesmo a guerra têm mais probabilidade advirem de escassez do que da redistribuição justa dos recursos.
 

Os países pobres também seguem esta regra. Encontram-se em estado permanente de guerra e desintegração social. Entre 1989 e 1994, apenas quatro dos noventa conflitos armados foram combatidos entre nações. Os restantes foram combatidos dentro das fronteiras nacionais. As últimas guerras, normalmente atribuídas a causas religiosas e étnicas, foram, de facto, iniciadas após conflitos relativos a recursos naturais. A água potável tornar-se-á cada vez mais uma causa para os conflitos armados.
 

Alguns optimista calculam que a quantidade de comida que o mundo pode produzir a uma produtividade máxima. Dividem, subsequentemente, esta quantidade pela população mundial e concluem que a fome é desnecessária ou, pelo menos, evitada. Tais projecções nunca irão ser abandonadas. Mesmo sob as circunstâncias mais favoráveis, os sistemas de distribuição e produção irão permanecer imperfeitos. É precisamente nas áreas mais carentes que tais sistemas são imperfeitos, para falar de uma forma ligeira. Pior, estas tendem a deteriorar-se ainda mais.
 

Para além disso, no seio dos ricos, a inclinação para a partilha está a decair. Sentem-se ameaçados pelas nações emergentes como por exemplo a China e Taiwan. Sendo que a necessidade de ajuda está a aumentar e o fundo de desenvolvimento de ajuda está a diminuir. A pressão advinda do crescimento rápido da população irá resultar em constelações políticas instáveis. O individualismo e o nacionalismo estão a aumentar.
 

4 Aumento dos padrões no terceiro mundo irá resolver o problema populacional

Infelizmente, o oposto é apoiado pelos factos. O crescimento populacional excessivo está a dificultar o desenvolvimento social e económico. A África é o caso mais triste. Na maioria dos países Africanos a ajuda ao desenvolvimento, mesmo quando fornecida em quantidades excessivas, não teve qualquer impacto no crescimento das populações. Investimentos em infra-estruturas sociais e económicas necessárias para manter os padrões de vida, provaram ser insuficientes. Em vez disso, ocorreu um declínio. As capacidades produtivas em agricultura e floresta, diminuíram devido à erosão e à desflorestação, resultando em declínios significativos nos padrões de vida em África. Entre 1980 e 1992, o rendimento per capita caiu 15%.
 

5 O desenvolvimento de países não pode ser motivo para diminuir o crescimento populacional desde que os países ricos continuem no seu caminho de consumo em excesso e deterioração ambiental

Apesar das densidades populacionais relativamente altas (NB: baixas quando comparadas com as condições actuais), os países ocidentais conseguiram aumentar o seu padrão de vida. Permanece por analisar se tais padrões de desenvolvimento poderão ser replicados no Terceiro Mundo. Durante os séculos XVIII e XIX, período no qual ocorreu a Revolução Industrial Europeia, as densidades populacionais e as taxas de crescimento populacional eram muito mais baixas do que as que prevalecem, actualmente, no Terceiro Mundo. O crescimento populacional na Europa após o início da revolução industrial começou a aumentar a produtividade por cidadão devido à construção de infra-estruturas e melhorou os níveis de educação. Para além disso, a produtividade aumenta continuamente, durante períodos alargados, de forma consistentemente superior às taxas de crescimento populacional. Deverá notar-se, no entanto, que a disponibilidade de matérias-primas desempenhou um papel significativo. As nações europeias foram capazes de adquirir as mesmas através de comércio e exploração.
 

O declínio nas taxas de mortalidade infantil devido a melhorias nos cuidados de saúde foi seguido por uma rápida queda nas taxas de natalidade. A emigração para a América do Norte, América do Sul, Austrália e Nova Zelândia, à época com poucos habitantes, e a necessidade de uma força de trabalho aumentada, aliviaram as pressões populacionais.

Os desenvolvimentos subsequentes nos países do Terceiro Mundo foram essencialmente diferentes. A introdução de cuidados médicos modernos não foi acompanhada por alterações económicas, sociais e técnicas. Boas infra-estruturas, uma boa base industrial e uma força laboral bem formada estavam em falta. O crescimento populacional excessivo não poderia ser cumprido com um crescimento concomitante de infra-estruturas.
 

Actualmente, as taxas de crescimento populacional em países desenvolvidos são muito maiores do que na Europa à época da revolução industrial. A população europeia cresceu, entre 1800 e 1900, de 187 milhões para 400 milhões. Em África, a população duplica a cada 24 anos! A emigração de populações em excesso de países desenvolvidos para países industrializados não é uma opção realista. Em países que se centraram na emigração, a situação alterou-se drasticamente nos últimos cinquenta anos. As suas economias tornaram-se vulneráveis, os recursos escassearam e as taxas de desemprego subiram. Para além disso, tornou-se problemático coincidir os padrões educacionais dos imigrantes com os requisitos do mercado laboral. A capacidade de absorção dos imigração irá, portanto, continuar a cair.
 

6 Novas tecnologias permitem o alojamento de um crescimento populacional ilimitado

Os últimos trinta anos contrariaram a afirmação de que os desenvolvimentos tecnológicos e científicos podem atingir padrões de vida para uma população mundial em constante crescimento. Em 1968, um bilião de pessoas desfrutava de um padrão de vida razoável com 2,5 biliões a viver na pobreza. Apesar de todos os desenvolvimentos espectaculares, em 1990 o número de pessoas com um padrão de vida razoável tinha aumentado para 1,2 biliões, sendo que o número de pessoas a viver na pobreza aumentou para 4,1 biliões. Portanto, o número dos que vivem na pobreza está a aumentar mais depressa do que o número daqueles que vivem na riqueza.
 

7 O alargamento e a melhoria da educação das mulheres irá resolver o problema populacional

A melhoria da educação das mulheres a longo prazo irá levar a taxas de natalidade mais baixas. Uma melhor educação, no entanto, não pode ser vista como uma solução para o problema populacional. As mulheres no Terceiro Mundo raramente conseguem escolher quantos filhos querem ter. Os contraceptivos disponíveis são insuficientes. Religião, os maridos, as sogras e as convenções sociais desempenham, normalmente, um papel decisivo na determinação do tamanho da família.

Quaisquer que sejam os benefícios da disponibilidade de contraceptivos e melhorias na educação, dever-se-á entender que as mulheres pertencem aos segmentos populacionais mais vulneráveis aos efeitos da sobrepopulação. A degradação ambienta força-as a transportar água potável durante grandes distâncias ou a gastar tempo na recolha de lenha para casa. Nas guerras civis, devido à sobrepopulação (o Ruanda é um desses casos) as mulheres são as primeiras vítimas. Para além disso, a situação de saúde das mulheres do Terceiro Mundo é baixa, precisamente devido aos partos e gravidezes constantes.
 

8 Altas taxas de natalidade proporcionam a estabilidade necessária aos idosos

O trabalho infantil é comum na maioria dos países pobres. As crianças trabalham para complementar o rendimento familiar. Raras são as questões colocadas relativamente aos direitos destas crianças. Formam um reservatório disponível de trabalho que pode ser facilmente explorado e abusado. As crianças trabalham muitas horas, normalmente são subnutridas e têm um grau de educação baixo. Isto resulta em adultos sem formação e definhados cujas capacidades de rendimento são desnecessariamente baixas. Estes adultos também não são capazes de contribuir, de forma significativa, para o desenvolvimento dos seus países.

9 Apenas os racistas se preocupam com a sobrepopulação

Aqueles que se preocupam com o crescimento populacional e com a sobrepopulação correm o risco de serem tidos como racistas. 95% do crescimento da população mundial realiza-se em pessoas de cor. No entanto, os verdadeiros racistas não se preocupam com mercados de peixe, com produção alimentar ou com a perda da terra arável. As pessoas que estão preocupadas com as consequências de um crescimento populacional ilimitado, normalmente, baseiam as suas considerações científicas e têm essas preocupações. Aqueles que não se preocupam com o crescimento populacional em países desenvolvidos, são normalmente aqueles que partilham da opinião que os países industrializados são sobrepopulados. As causas desta sobrepopulação mencionadas são a imigração e os efeitos de uma taxa de reprodução líquida superior ao nível de substituição de 2,1 crianças por mulher. Os argumentos a favor do interromper da imigração são normalmente encarados com acusações de racismo uma vez que a maioria dos imigrantes são de cor. O resultado do medo de ser acusado de racismo evita que muitos expressem as suas preocupações relativamente ao crescimento da população mundial e ao esgotamento de recursos.
 

10 Expressar preocupação relativamente ao crescimento populacional em países desenvolvidos é normalmente visto como arrogância

Muitos líderes em países desenvolvidos rejeitaram todos os apelos feitos para parar o crescimento populacional. As relações coloniais, antigas e actuais, e o sobre consumo em países industrializados são mencionadas como as causas reais das misérias actuais dos países desenvolvidos. Os seus líderes fecham os olhos às condições sociais e políticas que perpetuam estes problemas. Criando, desta forma, obstáculos à resolução destas questões. Os níveis de desenvolvimento actuais são baixos tendo em conta que qualquer melhoria estrutural das condições de vida é impossível sem o declínio das taxas de natalidade. A diminuição destas taxas é, portanto, não apenas benéfica para o mundo como um todo mas também para aqueles que estão directamente envolvidos na questão.
 

11 Alterar o tamanho da população mundial é igual a suplantar Deus

De acordo com alguns crentes não Cristãos e Cristãos no crescimento populacional não deverão ser considerados um problema. Apenas Deus irá determinar o futuro do mundo. As actividades humanas para parar o crescimento populacional são, aos seus olhos, heréticos e pecaminosos. No meio destes, apenas um pequeno segmento, principalmente os Cristão protestantes ultra-ortodoxos, são consistentes com as suas opiniões recusando qualquer forma de vacinação e seguro.

A maioria dos crentes é menos consistente. Por um lado, rejeitam uma política populacional e sujeitos à utilização de métodos contraceptivos "não natural". Por outro lado, não são objecto a combater as ameaças à sua vivência através de meios que sejam "não naturais" (melhorias de plantações, fertilizantes químicos, pesticidas, manipulação genética, medicação, vacinação, cirurgia, luz eléctrica, formas de transporte modernas).

Os crentes foram quem se opôs ao impedimento ao crescimento populacional de modo a reconhecer que mais e mais componentes da criação de Deus estão a ser perdidos devido ao crescimento contínuo da população mundial.
 

12 O impacto ambiental do crescimento populacional no mundo desenvolvido é muito mais pequena do que o impacto em países ricos uma vez que a procura dos recursos naturais por pessoa é muito mais pequeno

Na sua luta pela sobrevivência, os pobres normalmente causam danos ao ambiente. Oitenta por cento da desflorestação mundial ocorreu em países desenvolvidos. A Etiópia poderá servir como exemplo.

Quarenta por cento do país utilizado a ser coberto por florestas, quando comparado com apenas 4% na actualidade. As florestas foram transformadas em terra agrícola, com muitos efeitos laterais não intencionais. Durante séculos as terras agrícolas nas terras altas Etíopes foram renovadas devido à sua fertilidade. As florestas as declinações montanhosas manteve um solo rico em húmus.

Quando o crescimento populacional necessitou de mais terras agrícola, as florestas foram cortadas, causaram perda de fertilização e fertilidade naturais. A madeira para casa também se tornou escassa. Os comerciantes colheram combustível em mais florestas remotas, aumentando a taxa de desflorestação. Quando a madeira de combustível se tornou escassa e mais cara, a população começou a utilizar substitutos e infelizmente esterco estável e palha. Anteriormente, a palha teve de ser utilizada para cobertura vegetal, um método para evitar a secagem do solo e o esterco para a manutenção da fertilidade do solo. O resultado foi um declínio significativo em fertilidade de solo e uma susceptibilidade a secas.

Sob estas condições deterioradas, qualquer seca severa irá causar um desastre. Tal como esperado, em 1984, a Etiópia foi vítima de uma das maiores situações de fome testemunhada em África. Independentemente deste desastre, a população da Etiópia aumentou de 38,5 milhões em 1980 para 56,7 milhões em 1993. Entre 2010 e 2025 a população aumentará, respectivamente, de 95 para 140 milhões. Mesmo os recursos naturais abundantes do Canadá não seriam suficientes para acomodar um crescimento populacional comparável. O crescimento populacional contínuo é a causa raiz da próxima onda de fome na Etiópia.
 

13 A India não é sobrepopulada porque exporta comida

A Índia é ainda considerada por muitos uma história de sucesso. A tão chamada revolução verde provou ser capaz de alimentar uma população de rápido crescimento? Qualquer pessoa que tenha viajado através da Índia e observado os pedintes e as favelas imundas irá ficar, provavelmente, mais relutante em chamar à Índia uma história de sucesso.

À altura da independência em 1947, a antiga Índia Britânica contava com cerca de 300 milhões de habitantes. A mesma área (que engloba, actualmente, a Índia, a Paquistão e o Bangladesh) tem uma população que aumentou em mais de um bilião de pessoas.

Sem este espectacular crescimento populacional, a Índia seria um país muito melhor actualmente. O país teria sido capaz de proporcionar alojamento, educação e emprego para todos. Actualmente, mal consegue alimentar a sua população. Para além disso, ainda é dependente da assistência do Japão e dos países ocidentais.
 

14 As previsões de Malthus não se concretizaram. O mundo produz comida suficiente para todos

Os factos indicam uma história diferente. A taxa de crescimento da produção de comida ficou para trás do crescimento populacional desde 1985. Apesar da queda do número de pessoas com fome, escassez de comida e conflitos relativamente a recursos naturais, até hoje, não ocorreu qualquer escassez de comida à escala mundial. Os optimistas apontam para aumentos espectaculares na produção de cereais e na pesca, não tidos em conta em previsões anteriores. Estas tendências numa produção aumentada não podem, no entanto, se extrapoladas indefinidamente.

A tendência na pesca poderá servir como exemplo. No início dos anos 80, existiam aviso acerca da pesca em excesso. Entre 1950 e 1989, os métodos de apanha melhorados foram temporariamente capazes de compensar a pesca em excesso. No entanto, desde então, as apanhas diminuíram constantemente.
 

Crescem as indicações de que o mesmo padrão ocorre na produção de cereais. Entre 1950 e 1984, a produção de cereais aumentou a uma taxa de 3% ao ano. Subsequentemente, esta taxa de crescimento caiu para 1% ao ano, sendo uma taxa consideravelmente inferior à taxa do crescimento populacional. Não se espera uma aceleração renovada da taxa de crescimento. A colheita intensiva de cereais necessita de grandes quantidades de água fresca. Em regiões com colheitas de cereais intensivas, os limites hidrológicos de água para colheitas parecem ter sido atingidos.

A adição de mais fertilizantes artificias tem um efeito pequeno ou inexistente nas colheitas. Para além disso, a grande utilização de fertilizantes artificiais leva a uma deterioração da fertilidade do solo.

As áreas mais produtivas foram colocadas a produzir. Já se observaram declínios nas colheitas em grandes caminhos de terra devido à erosão dos solos, à salinidade e outros factores.

Uma dieta equilibrada e variada para cada cidadão do mundo necessita de meio hectare, sendo que a nível mundial apenas um quarto de hectare está disponível. Com as tendências contínuas no crescimento populacional, em 2035 apenas um oitavo de hectare estará disponível.
 

15 A extinção de muitas espécies de plantas e animais tornou o crescimento populacional irrelevante

Conhecimentos acerca da variedade de espécies (ou biodiversidade) são, no melhor dos casos, escassos e em qualquer caso insuficientes. As estimativas indicam um número de 13 a 14 milhões de espécies. Desse total, apenas 1,75 milhões foram sistematicamente determinados. Aproximadamente 30 mil espécies são ameaçadas de extinção devido à interferência humana.

Existem aqueles que afirmam que a deterioração dos ecossistemas é irrelevante devido a esta falta de conhecimento. Por outras palavras, o vandalismo é permitido desde que os vândalos saibam aquilo que estão a destruir. Esta atitude é uma expressão de arrogância e uma negação dos direitos das gerações vindouras.

Outra preocupação: plantas como fonte de muitos dos nossos medicamentos. Ao exterminar muitas espécies ainda por identificar, os desenvolvimentos farmacêuticos e médicos são cortados para sempre e também as oportunidades para a melhoria da qualidade de vida.
 

Uma variedade de espécies nas florestas tropicais proporciona a possibilidade de cruzamentos de tipos de espécies existentes, resistentes às doenças das plantas. Várias razões argumentam, de forma convincente, a preservação de ecossistemas especiais para o ser humano.
 

Conclusão

Os que se comprometem com o objectivo de uma população mundial mais pequena irão encontrar muitos oponentes. Normalmente, a palavra "racismo" é utilizada contra estes de modo a remover a questão do crescimento populacional do fórum da discussão racional e do debate. Previsões acerca da recorrência de condições desastrosas resultantes do rápido crescimento populacional e que levaram à guerra civil no Ruanda são difíceis de suportar. No entanto, as previsões não são necessárias. Poderá ser já observado que as diligências dos humanos causaram um estrago irreparável. Grandes pedaços de floresta tropical foram cortados e muitas espécies de animais e de plantas foram exterminadas. A qualidade do nosso ambiente deteriorou-se significativamente.
 

Muitos políticos são pessoas já com idade. Eles próprios não terão de enfrentar as consequências das suas políticas de negligência. Está muito em jogo. Seria inteligente não ignorar os muitos avisos dados por grandes números de cientistas. Os nossos filhos e netos irão sofrer as consequências da nossa administração actual inadequada. Devemos aos nossos filhos inserir as questões populacionais nas agendas políticas.
 

2010

World population